segunda-feira, 29 de junho de 2015

CrossFit


E pronto mais um treino de CrossFit terminado... Ai não espera... Afinal foi só mais um final de tarde sózinho em casa e a ir buscar o Jaime à escola. 
Clarinha no carrinho, Jaime pendurado e uma Avenida da Liberdade para subir. 

Fizemos compras no supermercado.
Clarinha no carrinho. Jaime pendurado a negociar a compra de um gelado. E na outra mão o saco de compras e o sorriso para os vizinhos.
Empurro o carrinho e penso naquele poema do Gedeão que a Odete Santos imprimiu para sempre na nossa memória e que o Marco ressuscitou a meio do Caminho de Santiago: 
"Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.
(...)"

À porta de casa entretenho o Jaime com
Perguntas. Tiro a Clarinha  que chora do carrinho e abrevio a história para preparar o jantar.
Enlouquecida de sono, a Clarinha chora depois do banho com aquela intensidade que envergonha qualquer vocalista de Heavy Metal. Distraio-me e pronto... Poderia ter queimado a gordurinha toda num treino de CrossFit mas afinal queimei só o jantar.

CrossFit é pra meninos 💪🏻😜
e esta Mini Super Bock é a melhor de sempre ... E a única que havia em casa.

Foto dedicada a todos os meus amigos que adoram publicar fotos de refeições impecavelmente voluptuosas no Instagram

terça-feira, 16 de junho de 2015

Caminho de Santiago: Chegada


O campo de estrelas semeado para San Tiago é uma transformadora chegada. 
Não houve Botafumeiro só um chuveiro que chegou para nos lavar a almar.
A Santiago chega-se mudo. De impacto e não cansaço.


Caminharia muito mais para sentir isto de novo. Caminharei de novo, certamente.

Agora que aqui cheguei confirma-se a comoção sorridente.
Agora que aqui cheguei sei com tranquilidade que o caminho começa agora.

Até aqui encontrei gente de todo o lado. Quase todos repetentes do Caminho, ano após ano.

Kelma, a brasileira bonita, devota de Santiago veio três vezes e encontrou-nos agora.
Waldemar tem as raízes no Quirguistão e a família na Alemanha. Tudo o que tem de material na vida está nos 12 kg da sua mochila. É programador. Ganha bem. Trabalha em Hannover mas busca a redenção no Caminho.
Os portugueses de Viana que encontrei num tasco traziam aquela alegria típica da boa fé minhota. Ofereceram-nos tortilla no tasco e um abraço quando nos encontramos agora dentro da Catedral.
Iñaki é um basco. Entrou-nos pelo albergue dentro. Alucinado de cansaço. Veio de Lisboa. Achou Ponte de Lima 'une petite delicatessen'. Era magro como um cão mas não era elegante como um galgo. Tinha cara de lobo do mar. E era irascivelmente basco de Pamplona.

O caminho o que traz é ligação.

Nas cidades vamos construindo camadas betonadas que nos separam da terra que, garantem os pediatras, só faz bem à resistência dos miúdos.
Tantas camadas urbanamente cinzentas e essa outra camada da tecnologia aproximam-nos, sem dúvida, dos outros e distraem-nos de nós.

Muito do que nos achamos é pelos outros que o aprendemos mas não há como estar ligado à terra. Ligado em mim. Uno.

Precisaremos, como de pão, de reconhecer o que nos torna comuns e parte dos outros. Mas desligados de nós seremos vultos ou felizes papagaios de papel que voam a favor do vento.

O Caminho não se conta, faz-se! Venham. Eu voltarei!

Obrigado pelo vosso apoio. Isto não cansa mas convosco soube melhor 😀

Chegámos às 12h30

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Caminho de Santiago: o vento do 25 de Abril


Cantámos Zeca logo a abrir a manhã e ergueu-se vento sibilante a pentear a paisagem verde.


Vento só. Vento livre. Vento vivo.


Sentir o vento é sentir que a Terra vive.

Não vou falar do que se leva do Caminho, porque o Caminho não te dá nada mais do que uma direcção. Cada um segue como quiser. Cada um o faz como pode.
Por cá diz-se que "uma tartaruga leva mais do caminho do que uma lebre". Deve caminhar-se intensa e vagarosamente, como quando se beija alguém.

Quando abri os braços ao vento das zonas altas e descobertas senti-me forte. Entenda-se que, a qualquer arranque, a qualquer reinício de passada me pareço com uma empiriquitada Geisha usando os obokos - aquele calçado de madeira. Passinhos pequeninos e rápidos. Acelerando até planar.

Planar. Hoje pude planar de braços abertos ao vento em harmonia.

Harmonia, pode ser um dos souvenirs que nunca vai estar nas lojas para turistas.

Ouvi o vento em dolby surround. Senti a energia que se ouvia fazer numa central elétrica. Vi as flores a colorirem-se de cores berrantes. Senti-me forte a cada passo. Senti que o caminho já não era de caminhar mas estava sendo de passear. E veio a chuva. E apareceu um café que o vento pode ter arrastado até nenhures. 
Conhecemos Carlos Rios, o homem do caminho. Credenciada celebridade com direito a página no facebook e tudo.
Carlos Rios, vive há 11 anos no caminho. 11 anos pendularmente entre Santiago e qualquer outro ponto do Caminho Português.
Tinha uma paciência divina que usava para fazer umas botinhas inúteis que eram depois vendidas como recuerdos.

Carlos falou-nos de quietude eloquentemente, como quem a vive há 11 anos.
Carlos é português. Um fantasma e uma lenda do Caminho.

Já só faltam 25 km para Santiago. Estamos em Padrón. A certeza é clara: o Caminho não se faz pelas pernas que doem desde o primeiro dia mas com a cabeça. 

Vê-te ao espelho. Por detrás da maravilhosa cara que vestes todos os dias espero que vejas também uma alma.

A tua cara é maravilhosa mas sem alma é um ovo kinder sem surpresa.

Religiosa ou não, a espiritualidade é o centro do que te faz caminhar. E o motor.

(Quando foi a última vez que te deixaste ouvir o vento?) 



domingo, 14 de junho de 2015

Caminho de Santiago: A purga


A purga. 
Se pecados houvesse todos teriam sido levados pela tempestuosa chuva que apanhámos hoje. 
O Fernando Pessoa nunca fez certamente o Caminho para achar boa ideia guardar pedrinhas para fazer um castelo. Pedras no meu caminho? Lido com todas para as poder deixar para trás.

A paz. O Caminho é feito de passadas de dor crónica esquecida a cada pessoa nova que conheces. Julgávamos que este era um caminho solitário mas sempre tem aparecido gente nova de tantas as nacionalidades que levaria kms a descrever.
Logo pela manhã encontrámos duas senhoras austríacas que nos atropelaram com o seu ritmo acelerado. Deram-nos a verdadeira abada! A mais nova tinha 70 anos e uma alegria genuína de caminhar debaixo de chuva. Foram a nossa companhia até um café onde encontrámos umas letãs que nos fizeram sentir uns meninos. [tínhamos descoberto o poder rejuvenescedor de um Portinho]
As letãs estavam a tomar o pequeno-almoço: cafe con leche com croissant e uma garrafita de vinho branco para finalizar. Pimba!

Choveu muito e foi penitente o caminhar de pés molhados, calças pesadas, articulações desgastadas.
Quando a chuva passou vieram borboletas mostrar a leveza de voar e juro que pareceu que ajudaram a carregar as mochilas. E os fetos e todas as plantas das beiras nos apoiavam verdes de orgulho como aquelas pessoas que correm atrás dos ciclistas no tour de france. Enquanto andava dei muitos hi5s a esses fãs que nos suportavam enquanto revisitámos os hits de Abrunhosa, o Hino e, já celebrando o 25 de Abril, aquela música de Paulo de Carvalho.

De Redondela a Pontevedra foi duro pelo purgatório banho de chuva que levamos. Em Pontevedra decidimos continuar e avançar.

Já doía em Pontevedra, mas a solução é sempre continuar! Avançar!

Penso em vós e recolho os vossos pedidos que entregarei, estou certo em Santiago.

#aipernas #santiago #precisodeumapodologista

sábado, 13 de junho de 2015

Caminho de Santiago: dor compassada


Espanha acolheu-nos com um calor desnecessário. 
De Ponte de Lima a Valença quase todos os passos são belos. De Valença a Redondela há uma paisagem desgastante de tão pirosinha. 
O segundo dia foi, todavia, o dia de início da caminhada que interessa. 
Todos os pressentimentos de dor, bolhas ou pequenas lesões se concretizaram hoje. Em momentos, houve passos dolorosos em que nos recolhemos no silêncio. Noutros cantávamos o Hino, bossa nova ou um medley de canções pimba.

Encontrámos, caminho fora, estrangeiros que vinham de todo o lado. Nesses encontros, lá coxeámos todos em línguas diferentes.

A dor sempre faz parte e a cada passo lutamos para a superar.
O Caminho é dos que o caminham e descobrem que manter a passada é a mãe que nos leva até à meta.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Caminho de Santiago: encontro com a Natureza

Numa viagem destas entregas-te à Natureza como a uma amada. E com isso ganhas o direito a todos os seus caprichos. Noite. Nascer do dia. Chuva. Trovoada. Vento. E um fabuloso sol para beber uma Super Bock à chegada a Valença. O bucolismo de um verde montanhoso e e enevoado encontrou-se com o azul fronteiriço desta terra.
Passámos por localidades. Localidades que emigraram inteiras.
Passámos por animais soltos e por pessoas desertas.
O Marco é fala-barato e eu escuto animado. Há partes do caminho que nos tiram o pio. Há outras onde o fresco do vento, as árvores que verdejam e os passarinhos fazem uma cantoria e tudo é simples e pleno.
(Enquanto isto no albergue o velho vizinho ressona gravemente desafinado)
‪#‎aipernas‬ ‪#‎santiago‬ ‪#‎verdesanos‬

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Caminho de Santiago: a Labruja


Era a Labruja, gente. Qual Adamastor dos mares. Foi superada!
Passo a passo enchem-se os olhos de motivos para amar esta terra bonita. (O amor telúrico de Miguel Torga devia ser monumento nacional, nestes tempos de crise.)
Não faço o caminho porque é fácil, mas porque não podemos continuar a recear o Caminho.
A vida não é asséptica: não podemos recear tanto as dores nas pernas. O que interessa é andar! 
São tantos os cheiros a flores e a terra fértil que dá vontade de os trincar.
São tantos os verdes que percebes que a esperança não vai acabar.
O verde Minho é a terra da esperança...
‪#‎aipernas‬ ‪#‎santiago‬

quarta-feira, 10 de junho de 2015

A paternidade de um filho

Pensando bem, tenho mais anos de experiência a ser filho do que a ser pai. Nenhum livro me preparou mais do que o dia a dia de ter o Jaime a adormecer nos meus braços. Tentar fazer o que é certo é algo que sempre inquieta os pais. Nunca soube bem o que era esse ‘certo’, talvez o tenha trocado cedo pelo que é incerto e isso deu-me a confiança de que nem sempre estarei certo e, partindo desse princípio, viverei a tentar.
Tento ser pai. Tento ser do meu jeito.
Esbarro muitas vezes nas tradições da sociedade que parecem atribuir ao pai a quase exclusividade daqueles papeis e funções menos interessantes. Não, não me tentem convencer de que um pai é um acessório familiar responsável pela provisão económica, pelo exercício disciplinar e por todas as outras áreas contingenciais à criação de uma criança.
Se acham que para uma mulher é estranho levar um bebé para um local de trabalho, experimentem ser um homem, vestir um sling com um recém-nascido e enfrentar uma plateia.
A sociedade estrutura-se com base neste tipo de padrões mas não há na História algum episódio de progresso civilizacional que tenha resultado deste caminho certo.
Pais cheguem-se à frente e desafiem as tradições, não há melhor do que esse exemplo de inovação, criatividade e liderança para os nossos filhos. (Agora vou ali à festa do Dia do Pai com o Jaime e a seguir vou até ao hospital ver nascer a Clarinha.) Não há nada melhor do que fazer parte da criação ou do sorriso de um filho. Pais, cheguem-se à frente, façam parte, estejam presentes.

terça-feira, 9 de junho de 2015


Há uma solidão seriamente alucinante na espera de um homem num cadeirão num bloco de partos.
A Maria dorme serena.
Escuto o dominante bater do coração da Clarinha. O silêncio restante é quase absoluto, só há este som omnipresente do ar condicionado e essa memória de que não estamos sós nos sons que chegam do lado de lá da porta.

A vitalidade deste coração que bate hipnotizante leva-me além e nem o tempo passa nem nós corremos para lado algum.

Do que me lembrei até aqui, neste cadeirão:

DIVINDADE: em poucos outros momentos teremos oportunidade de nos aproximar tanto da divindade como quando nos deslumbramos perante a Criação. [Não nos recordamos o suficiente de como gerar uma vida é surreal!]
Por mais que a inteligência dos homens avance, por mais que a ciência encerre em si os dogmas modernos, o paladar está nesta redução, neste vergar perante a Criação.


FINITUDE: quanto mais me tento fazer alguém, lançar a rede dos objectivos pr'além mais me deixo ficar embevecido com a finitude do nosso controlo sobre a vida.
A Clarinha fintou previsões de médicos, superstições de avós e apostas de amigos. Ser humano é aceitar a permanente finitude perante o tempo, o ritmo e a vontade da Natureza. Ser finito é a vida. Ser finito é a essência da esperança.


DO CORAÇÃO: quando sofremos desgosto de amor andamos a apanhar os caquinhos. Tentamos colar de novo o indomável puzzle do sentimento. Cai-se facilmente no outono de pensar que anoitece cedo e de que a noite será longa sempre.
Quando soube da Clarinha brincava com o Jaime sentindo o coração abarrotado e tive medo que nele não coubesse uma menina... Mas cabe sem que o coração se tenha dividido ou multiplicado.
Será talvez a inexplicável lei do amor: o coração carrega em si o impulso ancestral da vida.

E por falar nisso, a Clarinha nasceu às 22h35, 3.375kg, faladora. E tocaram orgãos de tubos e harpas e sinos e cantaram coros.
E a Maria está bem, depois de um parto mágico, está agora no com passarinhos a rodar na cabeça.
Sabem, tudo isto é mágico e especialmente bonito. E sabemos que em muito o devemos a vocês amigos e amigas que torcem e vivem em comunhão e cumplicidade connosco.
Obrigado também à enfermeira Ondina, quem sabe, sabe (elogio público ao Hospital de Braga) 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Front End Innovation Conference Dia 1 (Notas a partilhar)



A forma como deixamos perplexos quem quer nos escute quando falamos do Portugal que existe para além das manchetes dos jornais é inquietante. 



Realmente, não comunicamos o que fazemos bem no nosso país. Não comunicamos (articulada e intencionalmente) as empresas incríveis que temos sedeadas por cá. Não dizemos muito que somos bons profissionais. Não mostramos o que queremos e somos tímidos na ambição de poder e capacidade do nosso país.

Ao mesmo tempo, é entusiasmante a curiosidade com que nos escutam falar de Portugal, das coisas que por cá fazemos, das nossas boas marcas, de como as empresas estão a tentar dar a volta.



A RETER 1: Somos o que de nós contamos. Cada um de nós viaja pontualmente e, se em cada viagem, se a cada encontro, soubermos melhor o que dizer de nós certamente vamos ganhar enquanto Povo, enquanto marca, enquanto empresas que competem globalmente.





A nossa situação é de indesmentível dificuldade. Nada como viajar para o percebermos: Munique tem uma taxa de desemprego de 3%... e um tecido industrial próspero e com resiliente vitalidade.

Nós já vendemos as joias, devolvemos aos bancos o que eles nos propuseram comprar e ganhamos a sensação de que já nada possuímos.
A RETER 2: Só seremos pobres se olharmos para o que não temos. Teremos pouco mas sabemos muito. Estamos é demasiado habituados a inventariar o que temos e nem sabemos o que sabemos bem, mas o que sabemos vale imenso.





Aquele compêndio de dificuldades organizacionais é de facto independente da nacionalidade da empresa. Aqui todos têm um medo irracional (?) da China; todas as empresas falam sistematicamente de problemas estruturais de comunicação e agilidade; todos querem crescer mas nem todos sabem como; envolver a gestão de topo é sempre um filme; os chefes são sempre anjinhos; alocar dinheiro a inovação tira o sono aos contabilistas, etc, etc.




A RETER 3: As ferramentas, teorias, boas práticas, estudos de caso existem e são para ser usados. O grande diferenciador por aqui? As empresas que vão ao palco apresentar o seu sucesso levam a inovação mesmo a sério: tornou-se um processo industrial, parte do sistema operativo destas empresas alocar recursos - sim, dinheiro e pessoas - ao desenvolvimento de inovações. 




A RETER 4: A PWC diz que a razão pela qual toda a gente só fala em inovação é porque nos últimos 3 anos as empresas inovadoras cresceram 1.5X mais depressa do que as restantes. (Já agora, o valor indicativo de retorno económico esperado de um projecto de inovação é 60%)





E eis que depois aparece Jorge Fernandes, VP Innovation Program Office da DSM. 

Formado em Portugal é agora um Português pelo Mundo. E a empresa dele é a materialização do motor de crescimento de que tantas vezes costumo falar em Portugal.
A DSM actua na área das biotecnologias e materiais procurando resolver grandes problemas no mundo e da Vida. Basicamente, desenvolve conhecimento científico e vende a várias indústrias.
O que foi mesmo lindo e entusiasmante para toda a plateia foi a ilustração do ecossistema de inovação aberta montado pela DSM. Ver que resulta. Ver que é mais do que romantismo juvenil. Ver que é esta abordagem sistemática à inovação que os está a ajudar a chegar à meta que definiram de se tornarem uma empresa 1B$ (revenue) foi de uma enorme validação!




A RETER 5: Não é preciso inventar a roda. O mundo é plano, roda constantemente e os planos baralham-se mas compensa ter uma estratégia e uma táctica. (Além da falta de modelos operativos e dessa ambição, não encontrei outras razões para as empresas portuguesas serem as líderes mundiais a médio prazo).





O dia de hoje foi perfeito para validar o que muito li em muitos livros e artigos. Foi excelente para expor as minhas ideias a pessoas que escutaram interessadas. Tenho muita vontade de levar estes conceitos, experiências e toda esta arquitectura da inovação às empresas em Portugal... não há nada melhor do que desenvolver novos projectos!




A RETER 6: "Não há nada mais prático do que uma boa teoria" (K. Lewin). Muito do conhecimento já existe; a alfaiataria da sua adaptação à realidade de cada empresa é que é central. 

Para quando inovação e internacionalização e desenvolvimento das nossas empresas não movido exclusivamente a QREN's?!  




Podemos já ter o Mercedes, podemos já nem ir trabalhar amanhã, podemos já ter um nome e clientes e parceiros e tudo ou podemos estar ainda a querer conquistar o nosso lugar, a pergunta é O que queremos ser? e Que marca queremos deixar?




Se olharmos para o mapa das tendências mais fortes e para a velocidade com que aparecem desafios e soluções somos levados a concordar que o tempo é de grandes ondas. Uns serão por elas atropelados, outros surfarão as maiores para encontrar o seu lugar na História.




A RETER 7: É o status quo daquilo que sabemos que nos cega para aquilo que podemos fazer mais (e melhor). 





Ainda há muito mais para contar... depois, num café





Aus München mit Liebe,

Alexandre 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Género Humano


Toda a vida vivera de ser mulher, dessas mais bonitas, das curvas perigosas para inebriantes passeios da mais fértil volúpia imaginada. Mais ainda, desde os 15 anos é artista, dessas da mais invasiva exposição mediática.
Um dia, cruzou-se com um espelho e encontrou-se mulher, recém-mamã. Trinta kg a mais, olheiras marcadas, sonos trocados e todas as inseguranças de quem se redescobre crescida e herdeira de uma cartilha de expectativas sobre como ser mãe dedicada, mulher sensual e profissional de sucesso.    
Ao ver-se no espelho, Beyoncé, tomou consciência do peso das expectativas que internalizou, sem que desse por isso, sobre o seu papel como mulher. Chorou. Achava que isso a afastaria da carreira que estava há anos a construir. 
Há um folclore ancestral para nos educar sobre o cabimento de ser homem ou mulher. Trata-se de um pilar civilizacional que divide pela diferença, reduzindo a Humanidade a papeis, lugares, funções, estatutos e ambições circunscritos. 
E é um facto: geração após geração, eternizamos essa superstição atávica procurando encaixar nos marcadores sociais esperando fazer tudo certo. 

Chimamanda Adichie é uma escritora nigeriana inteligente, interessante e luminosa numa sociedade que não o valoriza. Chimamanda diz que é feminista porque diz que as mulheres têm uma existência, um lugar e muitos papeis numa sociedade em que o homem é o standard e o referencial. 
Mexe com todos os homens ouvi-la falar sobre género e papeis. A inteligência do seu humor são cócegas para os preconceitos instalados.
É raro que um homem tenha discernimento proactivo sobre a permanente actualidade de continuar a promover a igualdade de género. Não há desculpas para isso. Nem grandes explicações que o justifiquem. Na prática, as mulheres têm assumido corajosamente esse desafio superando barreiras e obstáculos e medos e inseguranças.
Chimamanda foi essencial para Beyoncé. Ler um dos seus ensaios ajudou a cantora a reagir com um álbum novo onde purga as suas inseguranças e se mostra mulher. Mulher que também é mãe.
Não há nada que a Sociedade possa dizer que a faça maior do que a mais elementar Humanidade. Discutir Género é pensar sobre o ser pessoa e dar um empurrão à Cultura que nos molda. 

O mundo, a vida e a Humanidade pulam e avançam sempre que Beyoncé, Chimamanda, Rosa Parks, Marie Curie ou as donas Conceição, Maria das Dores e Matilde enfrentam o que deve ser para fazer o que é certo.

(A Convite da Cruz Vermelha da Trofa. Distribuído hoje, Dia Mundial da Liberdade, nas ruas da Trofa)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

âncora


quanto me resta do que sei de mim?
se nada pareço conseguir daquilo que preciso
se da terra que cultivo nada nasce
se a prosperidade dos outros faz de mim apenas bem relacionado
se da sua realização eu partilhasse
se uma gota de sabor a sucesso
escorrendo boca seca abaixo
talvez minha sede saciasse
talvez a minha terra fosse menos árida
e, por menos que de lá nascesse,
confiaria enfim que, gota a gota, a flor floresce
e, de nenhuma lágrima nasceria o olhar para o lado
o querer manietado
o poder de uma lagartixa
a urgência de fazer

nenhum mundo prospera
nem nenhuma vida se socorre de um desencontro noturno 
nada se colhe na terra de pó
que não sejam as vozes
em acordes superiores
do pequenote que te corre a abraçar
de sorriso plantado. Vivo e sábio como o horizonte.
o sorriso do menino que nasceu para rir
é a música que te faz cavar
que te faz lavrar
é o caminho
é o lugar

procura o menino, o do sorriso do céu
ele devolve a força do que nunca morreu
e acalma o pó e a tempestade
fazemos o caminho juntos
nunca é tarde

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

27 de Setembro




Soube sempre porque voltei.
Foi quando aprendi a importância do nosso Sol e da luz do nosso dia.
Foi quando desenhei um trava-línguas novo:

Arriscar. Decidir. Tentar.  - é melhor do que estagnar!
Optar. Concretizar. Aprender. - é fazer o Caminho aparecer!
Sonhar. Fazer. Corrigir. - é sentires que estás a conseguir!
Sonhar mais. Conhecer. Fazer bem. - Fazer pelo Bem não olhando a quem
Começar por algum lado. - é cantar um novo fado!
Escrever e ver nascer...  - é a magia a acontecer!


Passam 5 anos da minha partida para Estugarda.


Não deixa de haver alguma nostalgia nesta efeméride.

Não deixo de pensar se tudo conspira para lá voltar.

Fui emigrante e gostei. Fui emigrante para adorar regressar.

sábado, 31 de março de 2012

30 por uma linha



Hoje faço trinta por uma linha.
(...isto é que vai ser um trinta e um!)

Há qualquer coisa neste soprar de velas...
Sempre receei a Crise dos Anos Trinta. Um misto de vida e sonho adolescente a encaixar num formato de adulto. Violento como um aparelho dos dentes. Solene como um ritual de passagem. Socialmente intenso como uma reunião de família.

E, no entanto, é apenas mais um sopro. Apenas mais umas velas. E trinta anos de experiência.
E é isso!

Sopro-te! E faço-me trinta por uma linha!


quinta-feira, 15 de março de 2012

18h15 Estação de S. Bento, Porto - Braga


Vaidosa e asseada. Tem uns olhos verdes bonitos e uma marrafa que lhe marca a cara.
Os putos ouvem hiphop e embaraçam-me as suas mochilas.
A senhora baixa usa camisolas de malha gastas. Tem coisas no cabelo oleoso.
O rapaz é grande. Tem olhos azuis claríssimos. Está entalado num fato de bancário. Está com cara de quem anda a mostrar o seu valor. Valor de estagiário num banco qualquer. E hoje não deve ter tido nenhuma reunião importante porque trouxe o fato roçado.

E agora vem o Pica. Cinzento. Cheio de gel ressequido. Já só tem cabelo de polipropileno e barba por fazer. De passageiro em passageiro roça a sua barriga de refeições à pressa nos bares das estações. E vai ele, de passageiro em passageiro já sem ver neles gente.

Todos vamos em pé. Apertados no mesmo espaço que será para o comboio o que uma praça é para uma cidade. Podemos chamar-lhe a praça do varão. O varão onde todos tentamos negociar um espaço para entrelaçarmos as mãos.

Partilhamos o varão, roçamos-nos involuntariamente pensando em mostrar que é de facto involuntário. Escutamos conversas dos telefones vizinhos. Participamos nelas. Partilhamos tudo e pouco temos em comum... Se calhar somos amigos no Facebook. Se calhar temos muito em comum. Se calhar não.
...E, no entanto, sempre que os meus, os azuis e os olhos verdes se cruzam fugimos.

Ao fundo vêm estudantes de pós-graduação com as olheiras, cabelos desgrenhados e rabos chatos. Partilham em círculos a agonia de fazer uma tese.

Atrás de mim miúdas feias entreolham-se nos reflexos do vidro. Apreciam com tristeza a fealdade. Esperam encontrar nos vidros um olhar que se cruze.

"- Mariana, anda cá! Já te avisei..."
Há também uma menina que espalha gargalhadas floridas pelas filas. Imune ao cansaço e aos olhares baixos. Intrigada com o fechamento introspectivo que os headphones trouxeram às pessoas.

Ao lado, os adolescentes exibem acne, as cenas fixes do momento e gargalhadas histriónicas que parecem incomodar as pessoas.

Quase em cima de mim, dando-me irritantes encontrões. Está um engenheiro. Daqueles que falam muito. Daqueles que falam com propriedade... Fala com um Júnior que o escuta entediado enquanto ele debita bitaites sobre como a empresa está mal. Fala muito e depressa. Ajusta os óculos em cada parágrafo. Encolhe a barriga sempre que olho para ele. É um estratega em potencial bruto, gordo, careca e de meias brancas com a raquete, que se liberta num comboio que lhe serve de audiência.

Há gente triste cansada. Gente que já boceja. Mães que coordenam o jantar por telemóvel. Namorados que discutem. Um homem que fala com o telemóvel dentro da boca para dizer segredos. Rapazes de cor de rosa com olhos esbugalhados para reencontrar a namorada.
Há gente que trabalha. Há gente que receia ser despedida. Outros já o devem ter sido. Alguns lêem coisas. Muito poucos trazem a felicidade escrita no rosto. E há outros que estudam e sonham um futuro... Não! Tenho bastante certeza que todos estamos sonhando e que a Mariana brinca por mais que a mãe a mande parar.

Tinha saudades de andar no comboio da hora de ponta...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

ALERTA F!


Saem à rua quando chega a noite. Aparecem quando todos estamos a chegar a casa. Rondam as pastelarias, padarias e supermercados.

São cinzentos, desassemelhados, não usam roupa a combinar e, pensando bem, são quase invisíveis.

Passamos apressados por eles sem os ver.

Reviram o lixo. Juntam cartão. Escolhem o melhor que aparece.

Têm Fome, e o Natal já passou...

Têm fome e nome:

Dona Cacilda tem cabelo de palha grisalha. Enrugada de fragilidade. Aperta os ossos numa saia grande demais e tenta refugiar-se do frio num casaco de homem que encontrou em algum lado.

Traz os olhos perdidos. Não estica a mão para pedir. Anda a garimpar o lixo do nosso prédio e o das lojas vizinhas. Procura qualquer coisa no nosso nada.

Habituou-se a que já não reparem. Pior, a que a enxotem. Não quer muito que lhe fale. Aceita que a ajude, envergonhada.

Na Avenida da Liberdade, vejo cada vez mais gente a procurar comida no Lixo. Vejo cada vez mais gente esperar comida do que sobra na hora do Fecho.

Gente como nós. Quase sempre com idade maior.

Não quero isto. Na minha cidade não se pode passar Fome!

Passar Fome no século XXI é perdermos a esperança num Futuro Melhor!

Vamos juntar-nos. Cada um na sua cidade.

Juntar os amigos. Juntar comida. Distribuir pelas instituições que já existem. Pensar noutras formas de chegar às pessoas. Partilhar as boas práticas.

Mas, ver gente a passar fome já não se usa. Pode ser diferente!

Juntas-te a mim?