terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Front End Innovation Conference Dia 1 (Notas a partilhar)



A forma como deixamos perplexos quem quer nos escute quando falamos do Portugal que existe para além das manchetes dos jornais é inquietante. 



Realmente, não comunicamos o que fazemos bem no nosso país. Não comunicamos (articulada e intencionalmente) as empresas incríveis que temos sedeadas por cá. Não dizemos muito que somos bons profissionais. Não mostramos o que queremos e somos tímidos na ambição de poder e capacidade do nosso país.

Ao mesmo tempo, é entusiasmante a curiosidade com que nos escutam falar de Portugal, das coisas que por cá fazemos, das nossas boas marcas, de como as empresas estão a tentar dar a volta.



A RETER 1: Somos o que de nós contamos. Cada um de nós viaja pontualmente e, se em cada viagem, se a cada encontro, soubermos melhor o que dizer de nós certamente vamos ganhar enquanto Povo, enquanto marca, enquanto empresas que competem globalmente.





A nossa situação é de indesmentível dificuldade. Nada como viajar para o percebermos: Munique tem uma taxa de desemprego de 3%... e um tecido industrial próspero e com resiliente vitalidade.

Nós já vendemos as joias, devolvemos aos bancos o que eles nos propuseram comprar e ganhamos a sensação de que já nada possuímos.
A RETER 2: Só seremos pobres se olharmos para o que não temos. Teremos pouco mas sabemos muito. Estamos é demasiado habituados a inventariar o que temos e nem sabemos o que sabemos bem, mas o que sabemos vale imenso.





Aquele compêndio de dificuldades organizacionais é de facto independente da nacionalidade da empresa. Aqui todos têm um medo irracional (?) da China; todas as empresas falam sistematicamente de problemas estruturais de comunicação e agilidade; todos querem crescer mas nem todos sabem como; envolver a gestão de topo é sempre um filme; os chefes são sempre anjinhos; alocar dinheiro a inovação tira o sono aos contabilistas, etc, etc.




A RETER 3: As ferramentas, teorias, boas práticas, estudos de caso existem e são para ser usados. O grande diferenciador por aqui? As empresas que vão ao palco apresentar o seu sucesso levam a inovação mesmo a sério: tornou-se um processo industrial, parte do sistema operativo destas empresas alocar recursos - sim, dinheiro e pessoas - ao desenvolvimento de inovações. 




A RETER 4: A PWC diz que a razão pela qual toda a gente só fala em inovação é porque nos últimos 3 anos as empresas inovadoras cresceram 1.5X mais depressa do que as restantes. (Já agora, o valor indicativo de retorno económico esperado de um projecto de inovação é 60%)





E eis que depois aparece Jorge Fernandes, VP Innovation Program Office da DSM. 

Formado em Portugal é agora um Português pelo Mundo. E a empresa dele é a materialização do motor de crescimento de que tantas vezes costumo falar em Portugal.
A DSM actua na área das biotecnologias e materiais procurando resolver grandes problemas no mundo e da Vida. Basicamente, desenvolve conhecimento científico e vende a várias indústrias.
O que foi mesmo lindo e entusiasmante para toda a plateia foi a ilustração do ecossistema de inovação aberta montado pela DSM. Ver que resulta. Ver que é mais do que romantismo juvenil. Ver que é esta abordagem sistemática à inovação que os está a ajudar a chegar à meta que definiram de se tornarem uma empresa 1B$ (revenue) foi de uma enorme validação!




A RETER 5: Não é preciso inventar a roda. O mundo é plano, roda constantemente e os planos baralham-se mas compensa ter uma estratégia e uma táctica. (Além da falta de modelos operativos e dessa ambição, não encontrei outras razões para as empresas portuguesas serem as líderes mundiais a médio prazo).





O dia de hoje foi perfeito para validar o que muito li em muitos livros e artigos. Foi excelente para expor as minhas ideias a pessoas que escutaram interessadas. Tenho muita vontade de levar estes conceitos, experiências e toda esta arquitectura da inovação às empresas em Portugal... não há nada melhor do que desenvolver novos projectos!




A RETER 6: "Não há nada mais prático do que uma boa teoria" (K. Lewin). Muito do conhecimento já existe; a alfaiataria da sua adaptação à realidade de cada empresa é que é central. 

Para quando inovação e internacionalização e desenvolvimento das nossas empresas não movido exclusivamente a QREN's?!  




Podemos já ter o Mercedes, podemos já nem ir trabalhar amanhã, podemos já ter um nome e clientes e parceiros e tudo ou podemos estar ainda a querer conquistar o nosso lugar, a pergunta é O que queremos ser? e Que marca queremos deixar?




Se olharmos para o mapa das tendências mais fortes e para a velocidade com que aparecem desafios e soluções somos levados a concordar que o tempo é de grandes ondas. Uns serão por elas atropelados, outros surfarão as maiores para encontrar o seu lugar na História.




A RETER 7: É o status quo daquilo que sabemos que nos cega para aquilo que podemos fazer mais (e melhor). 





Ainda há muito mais para contar... depois, num café





Aus München mit Liebe,

Alexandre 

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