quarta-feira, 10 de junho de 2015

A paternidade de um filho

Pensando bem, tenho mais anos de experiência a ser filho do que a ser pai. Nenhum livro me preparou mais do que o dia a dia de ter o Jaime a adormecer nos meus braços. Tentar fazer o que é certo é algo que sempre inquieta os pais. Nunca soube bem o que era esse ‘certo’, talvez o tenha trocado cedo pelo que é incerto e isso deu-me a confiança de que nem sempre estarei certo e, partindo desse princípio, viverei a tentar.
Tento ser pai. Tento ser do meu jeito.
Esbarro muitas vezes nas tradições da sociedade que parecem atribuir ao pai a quase exclusividade daqueles papeis e funções menos interessantes. Não, não me tentem convencer de que um pai é um acessório familiar responsável pela provisão económica, pelo exercício disciplinar e por todas as outras áreas contingenciais à criação de uma criança.
Se acham que para uma mulher é estranho levar um bebé para um local de trabalho, experimentem ser um homem, vestir um sling com um recém-nascido e enfrentar uma plateia.
A sociedade estrutura-se com base neste tipo de padrões mas não há na História algum episódio de progresso civilizacional que tenha resultado deste caminho certo.
Pais cheguem-se à frente e desafiem as tradições, não há melhor do que esse exemplo de inovação, criatividade e liderança para os nossos filhos. (Agora vou ali à festa do Dia do Pai com o Jaime e a seguir vou até ao hospital ver nascer a Clarinha.) Não há nada melhor do que fazer parte da criação ou do sorriso de um filho. Pais, cheguem-se à frente, façam parte, estejam presentes.

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