domingo, 14 de junho de 2015

Caminho de Santiago: A purga


A purga. 
Se pecados houvesse todos teriam sido levados pela tempestuosa chuva que apanhámos hoje. 
O Fernando Pessoa nunca fez certamente o Caminho para achar boa ideia guardar pedrinhas para fazer um castelo. Pedras no meu caminho? Lido com todas para as poder deixar para trás.

A paz. O Caminho é feito de passadas de dor crónica esquecida a cada pessoa nova que conheces. Julgávamos que este era um caminho solitário mas sempre tem aparecido gente nova de tantas as nacionalidades que levaria kms a descrever.
Logo pela manhã encontrámos duas senhoras austríacas que nos atropelaram com o seu ritmo acelerado. Deram-nos a verdadeira abada! A mais nova tinha 70 anos e uma alegria genuína de caminhar debaixo de chuva. Foram a nossa companhia até um café onde encontrámos umas letãs que nos fizeram sentir uns meninos. [tínhamos descoberto o poder rejuvenescedor de um Portinho]
As letãs estavam a tomar o pequeno-almoço: cafe con leche com croissant e uma garrafita de vinho branco para finalizar. Pimba!

Choveu muito e foi penitente o caminhar de pés molhados, calças pesadas, articulações desgastadas.
Quando a chuva passou vieram borboletas mostrar a leveza de voar e juro que pareceu que ajudaram a carregar as mochilas. E os fetos e todas as plantas das beiras nos apoiavam verdes de orgulho como aquelas pessoas que correm atrás dos ciclistas no tour de france. Enquanto andava dei muitos hi5s a esses fãs que nos suportavam enquanto revisitámos os hits de Abrunhosa, o Hino e, já celebrando o 25 de Abril, aquela música de Paulo de Carvalho.

De Redondela a Pontevedra foi duro pelo purgatório banho de chuva que levamos. Em Pontevedra decidimos continuar e avançar.

Já doía em Pontevedra, mas a solução é sempre continuar! Avançar!

Penso em vós e recolho os vossos pedidos que entregarei, estou certo em Santiago.

#aipernas #santiago #precisodeumapodologista

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